Cultivo Experiências

Sintropia e Ecologia – Ernst Götsch

sintropia

Ernst Götsch é um agricultor e pesquisador suíço, fundador da chamada Agricultura Sintrópica. Anteriormente escrevemos sobre seu livro “Homem e Natureza – Cultura na Agricultura”. Hoje vamos falar a respeito do trabalho realizado pelo Agenda Götsch, o centro de treinamento oficial da metodologia criada por Ernst Götsch. No sítio virtual do projeto são compartilhados alguns vídeos produzidos pelo Agenda, em que Götsch expõe vários conceitos formadores da agricultura sintrópica. A seguir, reproduzimos trechos dos vídeos: Área 1 – Escolha, Fundamentos 1, e Ecologia.

Escolha da Área

Um dos motivos que influencia na escolha da área é ser um local que aparentemente não possui condições ou recursos para se recuperar por si mesma em um curto espaço de tempo. Outro aspecto é o interesse em descobrir como agir para que esta área se torne um sistema e para que obtenha um salto energético e de qualidade e quantidade de vida consolidada positiva, tanto em relação ao sublocal da intervenção quanto em relação ao planeta inteiro.

A floresta não é tratada como algo intocável, mas sim como um ser vivo que, quando em crise, requer intervenção. A floresta é vida, é fluxo. Agimos como se estivéssemos desligados do sistema, e não nos damos conta de que somos parte dele.

Fundamentos

Quando se pretende plantar alguma espécie, não se deve plantar uma espécie sozinha. Mas sim várias espécies, criando-se assim em conjunto um macro-organismo.

Quando eu planto, faço a mesma coisa que a natureza faz. Não é só rotação e consórcio. É muito mais. Temos que trabalhar o ecossistema por completo. A regeneração da floresta segue os mesmos princípios da regeneração do universo, da galáxia, do indivíduo. O que acontece no (nível) macro sempre acontece no micro e vice-versa.

Formação do embrião: as espécies são escolhidas como se fossem formar o gene de um novo organismo. São introduzidas aproximadamente 100 genes por espécie a ser plantada. A quantidade é alta a fim de facilitar um processo natural entre eles sobre as espécies mais adequadas ao local, formando o embrião de uma nova floresta. Esse processo não é visto como uma competição ou concorrência; todas as relações inter e intra espécies são baseadas no amor incondicional e na cooperação. Ernst se sente como “endobionto” da floresta e não como seu dono ou comandante.

Agindo de modo benéfico para todos os atingidos, todos os participantes e todos os presentes, (de modo) que tenha um saldo energeticamente positivo em quantidade e em qualidade de vida consolidada, tanto no sublocal da interação daquele indivíduo, quanto no saldo do planeta por inteiro.

Formação da placenta: A sementes são plantadas como formadoras da placenta. Este termo é usado pois elas criam o primeiro viveiro para todo o resto. A primeira parte da placenta é formada pelo feijão. Não fosse assim, no momento em que as árvores começassem a nascer os grilos iriam cortá-las. Estando o feijão presente, os grilos não aparecem e não é necessário fazer nada contra eles. Tudo que se precisa fazer é agir certo.

O sistema é inteligente, ele segue uma lógica. E não faz sentido agora, depois de milhões de anos de processos desenvolvidos, achar que nós podemos modificar o sistema ou reinventá-lo. Devemos seguir a lógica. Eu, como agricultor, ajo dessa forma.

Ecologia

Cada espécie planta somente aquilo que realmente usa. Por exemplo, o macaco-prego planta cacau, enquanto o juriti planta canela. Cada um planta aquilo que deve e cuida do que plantou. Por isso, quando eu me retiro de um local, aqueles que ficam irão conduzi-lo conforme suas necessidades.

Podemos inserir nossas espécies, sem excluir os outros. Vamos criar agro-ecossistemas parecidos com os originais e naturais nos quais estamos intervindo. Podemos trabalhar e deixar os outros trabalharem. Não precisa haver conflito, veneno, formicida, inseticida, nenhum tipo de briga.

Fazendo o manejo correto, as demais espécies irão respeitar e compreender que existe outro animal trabalhando na área. Se o nosso agro-ecossistema sempre seguir a lógica da floresta, não vamos degradar o ecossistema. Pelo contrário, o enriqueceremos a colaboração será perfeita. Isto é o repensar da ecologia.

Fonte consultada:
Agenda Gotsch

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